O primeiro passo na identificação de um planeta que possa abrigar
vida é... encontrá-lo. Pode parecer redundante, mas não é uma tarefa
fácil. Exoplanetas, como são chamados os planetas que orbitam outras
estrelas que não são o nosso Sol, estão incrivelmente distantes, o que
torna a missão de encontrá-los bastante complicada.
Como explica
Massimo Mascaro, diretor do Google Cloud para inteligência artificial
aplicada, a descoberta de um planeta acontece quando um deles acaba
cruzando a linha de visão dos equipamentos que a NASA têm apontados para
estrelas pelo espaço. Neste momento, os sensores detectam uma breve
interrupção na emissão de luz; é o momento em que o exoplaneta bloqueia a
luz da estrela.
Esse trabalho é feito pelo satélite TESS
(Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito, em inglês), que a cada
27 dias despeja terabytes de dados sobre uma porção do céu analisada
durante o mês. A partir destas informações, os pesquisadores precisam
encontrar o padrão mencionado previamente: uma luz que brevemente perde a
intensidade como resultado de um objeto que cruza o seu caminho até os
sensores do satélite. É um padrão bastante delicado, e que muitas vezes
levou a falsos positivos quando esse trabalho era feito por mentes
humanas.
Graças
à tecnologia de aprendizado de máquina, no entanto, a NASA se tornou
capaz de treinar uma inteligência artificial que é capaz de identificar
em “um piscar de olhos”, como define o astrônomo
Hugh Osborn, o que é e o
que não é um planeta, com a capacidade de identificar e classificar
rapidamente as diferentes curvas de luz e observar variáveis que não
haviam sido percebidas pelos cientistas. Os pesquisadores notaram que a
precisão da análise subiu de 94% para 96% quando a máquina começou a
fazer essa função; a diferença pode parecer marginal, mas os humanos
levavam dias para concluir a tarefa, enquanto a máquina leva apenas
alguns segundos para isso, com uma taxa de acerto maior.
Essa, no
entanto, é apenas uma das partes da pesquisa de vida alienígena.
Encontrar novos exoplanetas é útil como ponto de partida, mas como
sabemos apenas de olhar para o nosso Sistema Solar, nem todos os
planetas têm condições de abrigar vida.
Essa
tarefa é complicada. Desde que a humanidade começou a olhar para o
espaço, apenas alguns milhares de exoplanetas já foram confirmados, o
que é uma base muito pequena de comparação e análise. Diante disso, os
pesquisadores se dedicaram a criar uma base de 3 milhões de planetas
simulados por computador, cada um com características únicas, mas
similares à Terra por possuírem um solo rochoso, o que pode ajudar os
astrobiólogos a testarem suas teorias de forma mais ampla, para analisar
o que faz ou não um planeta ser possivelmente habitável. Esse banco de
dados ajuda na comparação com exoplanetas reais que venham a ser
encontrados pelo TESS para analisar potenciais candidatos a abrigar
vida.
A última questão a ser resolvida é entender, afinal de
contas, o que é a vida. É mais do que uma questão meramente filosófica,
já que nós só conhecemos um planeta habitado até hoje: o nosso. Pode
haver outros planetas com características diferentes da Terra e que
tenham desenvolvido outros tipos de vida ao longo de bilhões de anos, e
isso pode fazer com que tenhamos dificuldades de identificar seres vivos
em outros mundos.
Tudo isso, no entanto, não oferece qualquer garantia de que vida será
encontrada no espaço. Todos esses esforços, afinal de contas, são
métodos para evitar que sinais passem diante dos nossos narizes e não
percebamos, mas a descoberta ainda depende de uma boa dose de sorte.
Isso, claro, se houver algum tipo de vida lá fora.
https://olhardigital.com.br/noticia/como-a-inteligencia-artificial-esta-ajudando-a-nasa-a-buscar-vida-fora-da-terra/84883
Sem comentários:
Enviar um comentário